12.03.2009
Entrevista com a chef Camila Prado
Com apenas 26 anos, Camila Prado já é responsável há um ano e meio pela seleção do cardápio de uma das maiores redes de restaurantes do país: o Viena. Sua paixão pela gastronomia começou quando ela ainda cursava hotelaria. Após terminar o curso, foi convidada para trabalhar como gerente de uma das lojas da Rede Viena em São Paulo. Do salão para a cozinha foi um pulo.
"O chef Manoel da Lapa, um dos mais antigos do Viena, foi minha inspiração e fazia tudo muito bem e com muita dedicação. É um profissional maravilhoso, que me ensina muito a cada dia. Buscamos juntos idéias até aprimorá-las para o perfil do cliente do Viena", comenta a consultora, também formada pela escola de Gastronomia Nicolau Rosa, em São Paulo.
Hoje, a paulista divide seu tempo entre as unidades de São Paulo e Rio de Janeiro e está constantemente viajando. Quando o restaurante lança um novo prato, Camila submete a receitaa quatro etapas até chegar à mesa. "Na primeira etapa, buscamos possíveis receitas em bibliografias ou debatemos idéias em conjunto com o mestre Manoel. Na segunda etapa, vem a execução da receita a fim de testar os resultados. Na terceira, aimplantação do prato em cada loja para testar a aceitação junto ao público. E, por fim, distribuição da receita por toda a rede e treinamento dos chefs de cozinha em cada unidade", explica a chef.
Confira a entrevista completa:
Quando você descobriu seu amor pela gastronomia?
Camila: Foi quanto estava no último ano da faculdade de hotelaria, quando comecei a fazer as aulas de A&B (alimentos e bebidas). Já na primeira aula, quando coloquei a doma e o avental pela primeira vez, eusenti alguma coisa diferente. No fim da aula, depois de ficarmos a aula inteira cortando alho e cebola - que segundo o chef é uma forma de batismo na cozinha - me senti realizada, enquanto minhas amigas reclamavam no cheiro em suas mãos e do choro da cebola.
Você estudou gastronomia ou tudo que sabe você aprendeu em casa?
Camila: Como fiz faculdade de hotelaria, meu estágio foi no restaurante do Hotel Grand Hyatt São Paulo, onde aprendi muitas coisas e me interessei ainda mais. Logo, comecei o curso de capacitação para chef na Escola de Culinária e Gastronomia Nicolau Rosa aqui em São Paulo. Após isso, fiz alguns cursos livres sobre assuntos específicos como culinária japonesa, panificação, etc.
Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no Viena?
Camila: Entrei no Vienaem abril de 2004, quando tinha deixado meu estágio no Hyatt e aberto uma empresa com meu pai no ramo de Náutica,nada ligado à gastronomia. Aívi que não era minha praia, além do fato de que trabalhar em família é complicado. Então, euprocurei alguma oportunidade na área que me interessava e entrei como gerente trainee no Viena. Logo, terminei meu curso para chef e fui convidada para atuar no seguimento Delicatessen do Viena.
Você cria constantemente receitas novas para o Viena. Como você escolhe esses pratos?
Camila: Tenho como meu parceiro o chef Manoel da Lapa, que é o supervisor de cozinha da rede Delicatessen. Ele é a minha inspiração, um profissional maravilhoso que me ensina muito a cada dia. Buscamos juntos idéias até aprimorá-las para o perfil do cliente do Viena. Busco possíveis receitas em bibliografias ou debatendo idéias em conjunto com o Manoel. Fazemos as receitas e verificamos o resultado. Testamos em loja e verificamos a aceitação do publico. Depois damos treinamento aos chefs de cozinha e distribuímos para toda a rede.
Qual a sua opinião sobre a alta e baixa gastronomia?
Camila: Tudo precisa de uma evoluir na vida. E a alta gastronomia é essa evolução no campo da gastronomia. Mas na minha opinião a baixa gastronomia ainda é o tradicional, o mais apreciado, é uma parte cheia de cultura. A alta gastronomia virou status, virou alquimia. Não que isso seja ruim, mas não me agrada. Minha cozinha preferida é a italiana, então imagina (risos).
Onde você pretende estar daquihá 10 anos?
Camila: Em alguma cozinha da rede, em algum lugar do mundo, já que estamos levando o Viena para outros países, com muito mais conhecimento e experiência.
Você pretende estudar mais, fazer algum curso fora do país?
Camila: Sim, a gastronomia também não para. Inicio minha pós-graduação em Gastronomia - Vivências culturais no inicio de 2009 e procuro sempre fazer alguns cursos livres sobre culinária japonesa, panificação, entre outros, para ter uma visão geral sobre diversos assuntos.
Algum sonho que você ainda não realizou?
Camila: Conhecer pessoalmente a culinária de todo o Brasil.
Quais são os chefs que você admira?
Camila: Respeito muito os chefs do século passado como Savarin, Bocuse, Troigros, mas a gastronomia mundial não seria a mesma sem Anthony Bourdain, Jamie Oliver, Gordon Ramsay, Ferran Adriá, Alex Atala e Laurent Suaudeau.
Um conselho para os jovens que desejam entrar na área da gastronomia?
Camila: Conheçam realmente o que é uma cozinha antes de decidir estudar gastronomia. É uma área maravilhosa, mas exige bastante dedicação e disciplina. E então, se você sentir um friozinho na barriga quando escutar o barulho das produções e no final do dia perceber que se sentiu realizado, mergulhe de cabeça e seja bem vindo ao time.
http://www.vamoscomer.com.br/home.asp?le=artista&pag=13&id=326

